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Archive for the ‘De blogueira pra blogueira’ Category

Ela parecia não cansar de olhar para trás. Parecia não cansar de relembrar toda a parte do seu passado que incluía ele. Apenas parecia, pois dizia estar cansada. Dizia ter cansado de tudo isso há um bom tempo. Ela apagou, queimou e jogou fora todas as lembranças materiais que tinha, e que tivessem alguma relação com ele.


Mas nada adiantava.

Ela cansou, mas não conseguia esquecer. Ela cansou, mas continuava pensando. Cansou, mas continuava lembrando. Cansou… E mesmo depois de ter rasgado as cartas e queimado as fotografias, não conseguia esquecer do cheiro dele. Não conseguia tirar da memória nem um momento que havia passado com ele. E foram muitos momentos.

O amor era mais forte. Mais forte que qualquer dor. Mais forte que qualquer coisa.

Ela se perguntava como um amor tão forte conseguia causar uma dor daquelas. Ela se perguntava quando aquele buraco em seu peito iria se fechar. Ela não queria continuar naquele sofrimento. Mas tinha escolha? Aquilo não estava acontecendo por opção. Sofrimento nenhum acontece por opção. Acontece porque tem que acontecer.

Sofrer faz parte do processo. Ela sabia disso, e ficava repetindo isso mentalmente milhares e milhares de vezes. Mas não conseguia aceitar.

“Por que eu não consigo esquecê-lo?” Ela sabia que não havia uma resposta concreta para isso, mas preferia perder o seu tempo pensando nessa questão que pensando nas coisas felizes que viveu com ele. Não queria sentir falta. Mas sentia.

Ela sabia que não tinha culpa, mas sentia-se uma completa idiota. Sabia que a culpa era toda dele. Que ele era o completo idiota. E, nossa, como ela queria matá-lo! Mas ela o amava. Não havia saída.

Ela entregou todos os seus sonhos à uma pessoa que só pensava em si próprio.

Ela precisava parar de pensar em nele. Ao menos uma vez na vida, um pouco que fosse, ela queria pensar em si. Um pouco que fosse.
E não conseguia. Mas ela não pretendia parar de tentar.

Ela tenta até hoje.

O texto acima foi escrito por Ana Clara, ou @bocejando. Das milhões de qualidades, uma é ser centrada e objetiva. Segundo a melhor amiga, é realmente difícil odiar algo nela. “(…) ela é excepcionalmente amorosa, com todos, até com quem não merece.” As duas se conheceram num discurso, no terceiro dia de aula. Apesar da vergonha, por ironia do destino ou alguma ligação inexplicável surgiu uma conversa. E dali, uma amizade invejável. Dona do blog Whispering a few secrets e de palavras que transmitem cada pequeno sentimento em cada pequeno detalhe.

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Sinto falta desses sorrisos que nunca conheci, de abraços que nunca aconteceram, de olhares que nunca existiram, de risadas que nunca foram partilhadas. Sinto falta de chorar no seu ombro, quando isso nunca aconteceu realmente. Você está preso em meus sonhos, preso no meu ser. Eu estou tão presa quanto você. Presa nessa gaiola que eu criei para mim mesma para não deixar ninguém se aproximar do “animal selvagem”. Se pelo menos você estivesse no mesmo estado, cidade ou bairro. Eu nunca te conheci. Mas eu ainda aguardo ansiosamente pelo dia que eu possa te abraçar e falar que senti sua falta. Porque eu senti sua falta todos os dias da minha vida.

A dona desse texto maravilhoso é Sofia Isbelo, ou @soisbelo. Sabe usar muito bem cada palavra, enchendo-as de sentimento. Escreve no seu blog (Dropping Crystal Tears) desde abril desse ano. Sua música preferida é Time Isn’t Healing – Feltbeats. Odeia ser orgulhosa e brigar com as pessoas que ama. E pra quem acha que idade é o mais importante: Ela tem 13 anos.

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Tem gente que sente a necessidade de olhar pra trás a cada passo que dá. Eu não entendo. Olhar pra quê? Pra saber se está tudo bem? Se as pegadas de anos atrás ainda estão lá? Se está caminhando reto? Bem, eu não sei, mas com certeza não é pra ver se o caminho continua lá, porque continuando lá ou não pouco importa, ninguém poderá retroceder, não faz diferença. Faz diferença quando você caminha muito, até cansar, chega muito longe, no teu limite, e vê uma estrada enorme pela frente, aí podes olhar pra trás: o que você já andou te serve como consolo, te lembra de onde tu veio, te acolhe, como um colo oferecido a uma criança. Mas ainda assim olhar pra trás é opcional, como ser rancorosa em relação a algo é opcional, como viver é opcional. Se tá cansado de viver, se mata, mas o que vem depois é de um extremo ocultamento, e o meu medo é que não tenha nada mais. Ouvi de uma professora na quarta série, numa aula de gramática, que se você morrer, o amor morre junto com você, com todos os outros sentimentos, e o tudo se transforma em nada, como se jamais tivesse existido. É mentira. O amor permanece. A morte apenas deixa um corpo inerte, a ausência. A ausência. A ausência dói, eu sei. Machuca. Vive pra sempre, igualmente ao amor, que foi incapaz de morrer junto, covarde. O amor sobrevive enquanto exista alguém que ainda ame aquela pessoa que se foi, então, amemos para sempre, por favor. Amemos para fazer da então ausência, presença, amemos por amar, sem querer receber nada em troca.

O texto acima foi escrito por Myrlla Bittencourt, paraibana, 15 anos, libriana. Entre suas qualidades está a capacidade de ouvir e fazer o possível pra ajudar os outros. Tem uma das amizades mais fofas que eu já vi com sua melhor amiga Clara. Diferente da maioria, começou a escrever no blog pra desabafar e para alguém se identificar com seus textos. “É realmente textos que são bem ‘íntimos’, por mais que a história seja meio irreal, tem sempre algo de mim ali, sempre algo do que eu to passando. ” Pretende ser nutricionista, mas publicidade e propaganda também a agradam. Dona do blog Ose rêver.

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